Entenda como funciona o diagnóstico e o tratamento das alergias
Coceira, espirro, tosse, ardência nos olhos e na garganta. O que estes sintomas, velhos conhecidos de boa parte da população, têm em comum? A resposta para essa pergunta é simples: todos eles são sinais de que uma substância estranha entrou em contato com o seu organismo, provocando uma resposta do sistema imunológico ou, trocando em miúdos, sinal de que você sofre com uma alergia.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 35% da população brasileira tem alergia e é justamente por ser tão comum que acaba, por vezes, sendo negligenciada pelos seus portadores. Segundo o otorrinolaringologista Pedro Guilherme Cavalcanti, a displicência diante da alergia pode ser grave, já que, em casos mais severos as alergias podem até levar à morte.
Por apresentar muitas variantes, o diagnóstico da alergia requer uma série de ações, que vão desde a observação médica até os testes clínicos. De acordo com o otorrinolaringologista Pedro Guilherme Cavalcanti, estes passos são necessários para a indicação correta do tratamento que deve ser seguido pelo paciente.
Segundo ele, a primeira etapa do diagnóstico da alergia consiste na consulta médica. “Nesse primeiro encontro com o paciente, o médico vai colher informações sobre os sintomas apresentados, bem como sobre o histórico de saúde do paciente, seus hábitos e até mesmo sobre a sua posição socioeconômica. Quanto mais dados o profissional tiver, mais preciso será o tratamento indicado”, explica.
De posse das informações repassadas pelo paciente, o médico irá analisar qual é o procedimento mais indicado para identificar os causadores das reações, e em seguida recomendará diferentes modalidades de testes para comprovar a natureza alérgica dos sintomas e avaliar o grau de sensibilização no organismo do paciente. De acordo com Pedro Guilherme, os testes mais comuns são: testes cutâneos de leitura imediata (testes por puntura – prick test), os testes de provocação nasal e os testes imunoalérgicos.
“O teste cutâneo de leitura imediata realizado por meio de puntura, também conhecido como prick test, é um procedimento rápido, realizado no antebraço do paciente. O que é feito basicamente é o contado de alergenos com o organismo do paciente, por meio de pequenas picadas. Após aguardar alguns minutos, a reação é observada”, explica. O teste é considerado positivo quando é verificada uma elevação avermelhada na pele, semelhante à uma picada de mosquito.
O teste de provocação, observa, é caracterizado pela exposição direta da substância à região na qual ocorre a alergia. “Em caso de alergia alimentar, o paciente é orientado a comer o alimento que possui a substância suspeita, em caso de problemas nas vias orais, é feita a inalação dos agentes por meio de nebulização”, comenta.
Já o teste imunoalérgico é realizado por meio da coleta e análise de amostra de sangue do paciente. O procedimento é realizado em laboratório e dosa a presença do anticorpo da alergia (IgE ou imunoglobulina E) específico para cada substância suspeita.
Com o resultado dos testes em mãos, cabe ao médico analisar clinicamente os dados e recomendar o tratamento que melhor se adeque à situação do paciente. Entre as opções que mais geram resultados positivos estão a vacinação e o tratamento de controle de alergias.
“A vacinação alérgica é baseada nos mesmos conceitos das imunizações para doenças como a gripe, na qual doses pequenas e controladas de uma substância são introduzidas no organismo do paciente de modo a estimular a tolerância. As injeções levam ao desenvolvimento de uma resposta imune protetora através do aumento de anticorpos protetores ou “bloqueadores”, que fazem com que os sintomas diminuam gradativamente”, explica.
Já o tratamento de controle da alergia trata-se da utilização de baixas doses de anti-inflamatórios de modo a manter a doença sob controle. Além destes, o médico também destaca o tratamento sintomático, que combate os sintomas da alergia, e o uso de terapias alternativas, como a acupuntura e a homeopatia, que estimulam a restauração do sistema imunológico do paciente, culminando na diminuição dos sintomas das alergias.









