Quando o clima esquenta, as pessoas permanecem por diversas horas em ambientes com equipamentos de ar condicionado que, além de retirarem a umidade do ar, podem não ter a correta manutenção, com substituição dos filtros responsáveis por garantir a qualidade do ar. Uma das conseqüências mais conhecidas e graves desta exposição é o aumento do número de pessoas sofrendo com doenças respiratórias, inclusive com internações hospitalares.
“Os aparelhos, além de resfriarem o ambiente, se não tiverem manutenção correta juntam em seus filtros ácaros, bactérias, esporos, fungos, algas e outros poluentes, aos quais as pessoas ficam expostas diariamente”, afirma a doutora Maura Neves, otorrinolaringologista do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP).
O nariz é a primeira linha de defesa do sistema respiratório contra a entrada dos agentes agressores, executando várias funções como umidificação, aquecimento, filtragem do ar inspirado e transporte mucociliar. Suas funções são afetadas por diversos fatores como poluição atmosférica, temperatura e umidade do ar, anatomia e volume da cavidade nasal, distribuição de fluxo sanguíneo, estresse emocional e tabagismo, que alteram a mucosa nasal, provocando ressecamento e, em alguns casos, congestão nasal.
Essa desidratação nasal resulta na redução da frequência do batimento ciliar (aquela fina camada de cílios microscópicos da parte interna do nariz) e compromete a filtragem das partículas poluidoras, que entram no organismo e podem causar infecções respiratórias, intensificar crises de asma e até mesmo provocar lesões pulmonares.
“A questão é que, em geral, as pessoas não dão a devida importância à irritação nas narinas, a sensação de ressecamento da mucosa nasal ou a pequenos sangramentos do nariz, que podem ser resultado de horas de exposição à poluição e ao ar condicionado. Mas é preciso dar atenção a estes sintomas e cuidar da hidratação nasal, que garante o funcionamento adequado das vias aéreas superiores e impede as partículas poluentes de prejudicarem o sistema respiratório como um todo”, reforça doutora Maura ao comparar a necessidade de manter a mucosa nasal hidratada aos cuidados que a população deve ter com a proteção solar.
Prevenção do ressecamento
Proteger o nariz do ressecamento, mesmo freqüentando ambientes com ar condicionado, contudo, é possível. Medidas simples como manter uma bacia de água no local e beber bastante água ao longo do dia podem ajudar.
As desagradáveis alergias respiratórias e a rinite alérgica aumentam nessa época e o tempo mais úmido e os ambientes fechados contribuem muito para o aumento de ácaros e fungos, que vão incomodar a todos que sofrem de alergias. Segundo a Pneumologista da Paraná Clínicas Planos de Saúde Empresariais, as alergias mais comuns vêm desses microorganismos que gostam de se proliferar em locais pouco ventilados.
Para a especialista, o aumento no número de resfriados e viroses também confunde as pessoas, pois alguns sintomas são muito parecidos, como é o caso da chamada rinite vasogênica, que aparece quando uma pessoa sai de um ambiente quente para entrar em outro frio ou vice-versa.
E quem tem alergia sabe o quanto ela incomoda, a todos. Os sintomas de uma crise são acompanhados de coceira, coriza, secreção transparente, constante, no nariz, espirros e congestão nasal. Já os resfriados chegam com tosses, indisposição, dores no corpo e dor de garganta.
Para afastar as reações alérgicas, alguns cuidados são importantes, como manter a casa mais arejada, abrindo as janelas, retirando o pó dos móveis, com panos que não estejam secos demais (para não espalhar a poeira) e nem muito molhados, para não ajudar na proliferação dos ácaros. “É importante, também, evitar os carpetes, bichos de pelúcia e tapetes, além de lavar os cobertores pelos menos a cada quinze dias. Além disso, se a pessoa for muito alérgica, deve usar capas para forrar travesseiros e colchões e colocá-los para tomar sol, pelo menos, uma vez por semana. Por última, vale evitar o contato muito íntimo com animais de estimação, principalmente, com os gatos”, orienta a médica.
A pneumologista diz que há duas formas de confirmar se a pessoa é alérgica. “A primeira é pelo exame de sangue, que confirma se o paciente possui anticorpos contra o ácaro, fungo, pólen e outros agentes e o teste de pele, quando é injetado uma pequena quantidade de um componente que cause alergia e verificamos se a reação da pele, para cada um deles”, explica.
Os tratamentos também podem ser feitos de duas formas. “A rinite alérgica é tratada com medicamentos antialérgicos e sprays nasais com corticoide e a conjuntivite alérgica com colírios à base de corticoide”, complementa.
A famosa receita de vó, o leite morno, pode ser tiro e queda para quem tem dificuldades de pegar no sono. O segredo é apostar em alimentos como este, ricos em triptofano, um aminoácido usado pelo corpo na produção serotonina, o neurotransmissor que ajuda na redução do ritmo cerebral, e também de melatonina, hormônio que regula o sono.
Acrescidos de algumas doses de carboidratos, a combinação fica ainda mais potente, já que o carboidrato influencia na liberação de insulina que limpa o caminho para o triptofano agir mais facilmente. Pesquisas internacionais também já relacionam o magnésio e o cálcio como substâncias importantes para dormir tranqüilo.
Confira a lista de nove alimentos para preparar sua noite de sono desde a hora do jantar.
ALFACE: muito utilizada pelos egípcios para ter uma noite de sono tranqüila, a alface contém lactuário, uma substância com poderoso efeito sedativo. “Chega a ser semelhante ao ópio”, diz Wendy Green, em seu livro “50 coisas que você pode fazer para combater a insônia” (Ed. Larousse).
BATATA: Rica em carboidrato e também em triptofano, ela pode ser uma ótima pedida para aqueles dias mais agitados. Só tome cuidado na hora do preparo. Quando fritas, seu valor calórico triplica. Pesquisadores norte-americanos confirmaram que, quando preparadas de maneira saudável, a batata não contribui para o ganho de peso. Portanto, que tal fazê-la ao forno?
BANANA: Uma única unidade contém triptofano, melatonina, serotonina e magnésio, todas essas substâncias que auxiliam o corpo a relaxar e, consequentemente, ter sono. Nela, também podem ser encontradas vitamina C e B6, fibras e potássio.
CEREJAS: Além de vitaminas A, B e C, essa fruta contém melatonina, substância que ajuda a estimular o corpo ao sono. Três ou quatro seriam suficientes para esse propósito.
COENTRO: a grande quantidade de magnésio presente neste tempero faz dele um excelente aliado no combate à insônia. “Na medicina tradicional iraniana é recomendado para aliviar esse problema”, revela David Grotto, no livro “101 alimentos que podem salvar a sua vida” (Rd. Larousse)
ESPINAFRE OU BRÓCOLIS: o segredo dessas duas verduras de cor verde escura está no magnésio. Segundo o nutricionista inglês Patrick Holford, autor de “A Bíblia da Boa Nutrição” (tradução livre, sem edição em português), esse minério é um poderoso relaxante e ajuda o corpo a lidar com as conseqüências do estresse. A dose diária indicada é de 300mg.
IOGURTE: O cálcio também tem sido celebrado como um importante nutriente quando o assunto é dormir bem. A nutricionista Adelle Davis, uma das mais respeitadas dos Estados Unidos, afirma em seus estudos que a insônia é um dos primeiros sintomas da deficiência de cálcio. O Ministério da Saúde recomenda a ingestão diária de 1000mg de cálcio por dia para um adulto.
MARACUJÁ: quem tem dificuldades para dormir ou crises de insônia com certeza já ouviu falar em passiflora. A substância extraída da flor do maracujá ganhou fama por seu potencial relaxante. A fruta, por sua vez, tem passiflorine, uma variante dessa substância, mas com o mesmo poder tranqüilizador. Faça um suco com dois maracujás pelo menos uma hora antes de deitar
NOZES: novamente a responsável é a melatonina. Esse hormônio que ajuda a regular o sono está presente em grande quantidade nas nozes. Além disso, também têm magnésio e é uma ótima fonte de ômega-3.
A sensação geralmente é a mesma: um ruído constante, que a pessoa não sabe de onde vem e como acabar com ele. Em alguns casos, o incômodo é parecido com o barulho de insetos, em outros, com sons de uma cachoeira e até mesmo de vozes humanas. O zumbido é um problema que afeta pessoas de todas as idades e que possui diversas causas, podendo ser originado por doenças fora ou dentro do ouvido.
Entre as causas, estão tumores no ouvido, ou ao redor dele; estresse; problemas dentários; além de distúrbios no metabolismo, como diabetes, hipertireoidismo, colesterol e pressão alta. Mas, em cerca de 90% dos casos, o zumbido está relacionado a perdas auditivas, em seus diferentes níveis.
“O zumbido pode ser causado por perdas auditivas, muitas vezes mínimas, e que ocorrem devido à exposição prolongada a ruídos intensos, principalmente no trabalho; também por perda de audição natural com a idade; por medicamentos; excesso de cerume e por outras doenças no ouvido, como inflamações”, destaca o otorrinolaringologista Pedro Guilherme Cavalcanti.
O médico explica ainda que o zumbido pode ser dividido em diferentes tipos, de acordo com suas características e pelo modo como interferem na vida do paciente, sendo classificados em persistente (aquele em que o paciente escuta barulhos continuamente, sem melhora do caso), intermitente (que ocorre em determinados períodos, geralmente relacionado a doenças do metabolismo e estresse) e pulsátil (que pode ter causas como tumores e problemas vasculares).
“Outra divisão é entre o zumbido que ouvimos quando estamos no silêncio, ou na hora de dormir, do zumbido que interfere na concentração, humor e pensamentos, podendo ser até incapacitante. E o quanto antes tratar, mais claro será o diagnóstico e maiores as chances de fazer o zumbido desaparecer”, coloca Dr. Pedro Guilherme Cavalcanti.
E os tratamentos dependerão justamente da origem do problema. No caso de zumbidos ligados a causas metabólicas, a atenção vai ser específica ao acompanhamento destas questões. Nos zumbidos relacionados a perdas na audição, existem medicamentos, que aliados ao uso de aparelhos auditivos, são capazes de diminuir ou acabar com a presença do sintoma. Em zumbidos causados por excesso de cera no ouvido, apenas com a remoção, durante a consulta, já é possível eliminar o incômodo.
O verão é sem dúvida uma das épocas mais esperadas do ano. É tempo de veraneio, férias, festas e muita agregação social. A ordem é aproveitar ao máximo o lindo cenário de sol e calor das praias do estado e de todo o litoral do país, mas é justamente nesse período que há um considerável aumento do número de pessoas que se queixam de rouquidão. “Esses dados são evidentes nos próprios consultórios. Estima-se até que o número de pacientes com rouquidão chega a dobrar nessa época do ano”, destaca Dr. Pedro Guilherme Cavalcanti, otorrinolaringologista da Clínica Pedro Cavalcanti.
Segundo o médico, esse crescimento no número de casos de pacientes com problemas vocais ocorre devido a algumas mudanças de hábitos, comuns nesse período de verão, e que podem causar inflamações nas cordas vocais. Exemplos disso são alguns excessos cometidos na alimentação, como abusos na ingestão de gelados; de bebidas alcoólicas; e de alimentos ricos em ácidos e gorduras.
Outras questões citadas, como possíveis causadoras de problemas, seriam o aumento da transmissão de doenças infecciosas da laringe, ocasionado pelo maior contato social, e os abusos vocais freqüentes em festividades, já que tendemos a elevar a voz para sermos ouvidos em ambientes muito barulhentos.
Quando a rouquidão persiste por mais de uma semana, os especialistas alertam para que se busque imediatamente a avaliação de um otorrinolaringologista, para uma rápida diferenciação de possíveis causas e a definição dos cuidados necessários para cada caso.
Os exames básicos para o diagnóstico de problemas vocais são a videolaringoscopia, que permite uma visualização direta das cordas vocais; e a espectrografia vocal computadorizada, que consegue avaliar o grau de rouquidão, aspereza e soprosidade da voz do paciente. Normalmente, além de cuidados básicos no uso da voz, o tratamento pode ser feito de três maneiras: através de medicamentos, da terapia de voz, ou por meio de cirurgia, quando encontradas lesões irreversíveis, como nódulos, pólipos, cistos e até mesmo doenças malignas.
E como o melhor remédio continua sendo a prevenção, Dr. Pedro Guilherme orienta com dicas para o verão ser aproveitado da melhor forma, com saúde e sem inflamações ou complicações na garganta. Beba bastante líquido em temperatura ambiente; modere no consumo de bebidas alcoólicas e de alimentos condimentados, frituras e frutas ácidas; evite abuso vocal e adote o repouso vocal, à medida que o quadro de rouquidão apareça.
Sentidos Humanos é uma série que explora os 5 sentidos humanos(tato, audição, visão, olfato e paladar). É através deles que interagimos com o mundo a nossa volta e é interessante entender como eles funcionam e como eles são interdependentes. Como o paladar, que não depende exclusivamente da língua. Nosso sentido de tato é muito mais influenciado pelo nosso cérebro do que pelos nossos sensores nervais.
Vale a pena conferir essa incrível série produzida pela BBC.
Nesse capítulo entenda melhor como funcionam a Audição e o Equilíbrio
A chupeta sempre é vista como uma ótima forma de acalmar os bebês, quando estão irritados ou chorando sem motivo aparente. Porém, as mães devem ficar atentas ao momento certo de retirar o objeto da rotina de seus filhos. O uso prolongado da chupeta pode sim levar a problemas no desenvolvimento da fala das crianças.
Segundo a fonoaudióloga Mariana Guimarães, o melhor seria que a chupeta não fosse usada em nenhum momento da vida da criança. Pois a sucção nutritiva, através da amamentação, é a ideal, por exigir um esforço maior, e já supre toda a necessidade de fortalecimento da musculatura da face responsável pela produção motora da fala nos primeiros meses de vida. Mas, caso os pais julguem muito necessário o uso da chupeta, para acalmar seu bebê, o importante é que ela seja abandonada, antes que os primeiros dentes comecem a aparecer.
A presença constante da chupeta na cavidade bucal provoca alterações no posicionamento e formato da arcada dentária, o que gera futuras dificuldades na articulação de palavras. “Quando a chupeta está parada na boca, sem sucção, ela serve apenas para impedir os dentes de crescer bonitos e saudáveis”, explica a fonoaudióloga.
Outra conseqüência do uso prolongado da chupeta é o desenvolvimento de uma respiração bucal por hábito. Acostumada a ter um objeto sempre interposto entre os lábios, a criança acaba perdendo a noção de manter a boca fechada para que possa respirar de forma correta pelo nariz. Isso será refletido na fala, a partir da dificuldade de pronunciar alguns fonemas oclusivos como /p/ e /b/.
De acordo com Mariana Guimarães, a dificuldade para a articulação de certas letras é algo extremamente comum durante o processo de aprendizagem da fala e algumas crianças demoram mais que as outras para superar determinadas fases. A literatura médica fala em cinco a cinco anos e meio para a aquisição de todos os fonemas, mas afirma que alguns já devem ser adquiridos até os três anos de idade.
O diagnóstico se a criança desenvolveu ou não algum problema devido ao uso incorreto da chupeta é feito através de uma avaliação fonoaudiológica da fala e o tratamento é realizado por meio de fonoterapia. Em alguns casos, a criança também é encaminhada para um dentista, que avaliará a necessidade do uso de aparelhos ortodônticos.
Já não é novidade que a rotina de quem sofre de alergias como asma, faringite e rinossinusite merece cuidados especiais. Entre as medidas mais importantes, os especialistas destacam a garantia de um ambiente arejado e longe de poeira. E, a adoção de determinados hábitos de limpeza doméstica será essencial para evitar que crises respiratórias e os seus conhecidos incômodos, como coceira no nariz, dores na garganta, obstrução nasal, coriza, falta de ar, chiado no peito e espirros, tornem-se uma freqüente na vida do alérgico.
“O método ambiental é sem dúvida o menos custoso e extremamente eficiente para evitar crises”, destaca o otorrinolaringologista Pedro Guilherme Cavalcanti. Ele explica que ações como limpar os móveis e piso com panos molhados, evitar cortinas e carpetes e o uso de bichos de pelúcia, deixar o ambiente arejado com janelas e portas aberta e entrada do sol, fazer uso de lençóis e colchões anti-ácaros, não usar produtos de limpeza com cheiro forte, evitar animais dentro de casa, além da prática constante de esportes, fazem toda a diferença para a saúde e bem estar do paciente.
A dona de casa Lucia Medeiros da Silva, mãe do pequeno Sergio Ferreira, de oito anos, sabe bem o que é isso. O menino sofre de rinite alérgica e sinusite e, segundo Lúcia, depois que ela resolveu aplicar com disciplina as orientações que o médico da criança a fez sobre a forma ideal de higienização do quarto e outros cômodos da casa, a vida no menino ficou bem mais tranqüila. Ela conta que agora troca pelo menos três vezes por semana os lençóis de cama e coloca os travesseiros e colchões da casa para levar sol uma vez por semana. Além disso, trocou o espanador pelo pano úmido para higienização dos móveis e se livrou das almofadas da sala.
“Já sabíamos que ele tinha alergia, mas relaxávamos nesses cuidados e toda semana estávamos no pronto-socorro, porque ele levantava à noite com dor de cabeça, febre e reclamando que estava com falta de ar pelo nariz estar entupido. Desde o ano passado faço tudo direitinho e percebo que a freqüência das crises diminuiu. A última foi no começo de janeiro, acho que pelo período de chuva e mudanças de clima com a chegada do verão, mas só. Está brincando e indo para a escola todo dia”, coloca.
Outra observação é em relação ao uso de ventiladores e aparelhos de ar condicionado. Dr. Pedro Guilherme explica que o segundo é menos agressivo que o primeiro, pois o ventilador arremessa a poeira presente no ambiente, que acumula fungos, ácaros, resíduos de alimentos e insetos, na face do indivíduo. Justamente alguns dos principais causadores de crises. No caso do ar condicionado, uma forma simples de diminuir os efeitos negativos é o cuidado com a limpeza. Revisões periódicas dos filtros são indispensáveis.
Além de todos esses cuidados externos, para quem tem crises constantes, o otorrino chama atenção ainda para a importância do tratamento medicamentoso, como vacinas imunoterápicas e os tratamentos de controle (antialérgicos de forma continuada ou local, mas de baixas doses), para a diminuição dessas alergias. “Quando necessário, também é feito o uso corticóides, sejam eles locais ou sistêmicos, e também o de antimicrobianos, isso a partir da observação do médico de breves sinais infecções que podem estar confundindo ou associados ao quadro alérgico”, acrescenta.
Respiração é tudo. Mas ela deve ser realizada da forma correta, para não trazer prejuízos à saúde. Respirar pela boca, por exemplo, pode trazer sérias conseqüências para a conquista de uma boa qualidade de vida.
O otorrinolaringologista Alexandre Augusto Fernandes pesquisou a influência da respiração bucal nos padrões de crescimento das crianças, em sua tese de mestrado, e esclarece as principais causas, diagnósticos e tratamentos da chamada Síndrome do Respirador Bucal.
O que é a Síndrome do Respirador Bucal?
AAF – O termo se refere a um conjunto de sinais e sintomas que o paciente desenvolve através da respiração bucal. Não é uma doença em si, é um quadro sindrômico decorrente de algumas outras patologias.
Quais as causas mais freqüentes da respiração Bucal?
AAF- Existem várias causas. Todas as possíveis que levam a uma obstrução de respiração nasal, vão conseqüentemente levar a uma respiração bucal. Nas crianças as causas mais freqüentes são a hipertrofia da adenóide ou amígdalas. Nos adultos, dividimos em quadros inflamatórios, como alergias, rinites, sinusites e quadros estruturais como hipertrofia de cornetos, desvio de septo nasais, conchas bolhosas e ainda quadros neoplásicos como tumores benignos ou malignos, estes bem mais raros em crianças.
Então a Respiração Bucal está sempre ligada a algum tipo de obstrução no nariz?
AAF – Sim, está ligada à obstrução nasal em sua grande maioria. Mas existem casos de origem esquelética, em que alterações na estrutura óssea crânio-facial levam o paciente a respirar pela boca. Nesses casos, o tratamento não é focado em desobstruir o nariz, quejá está desobstruído, e sim, em fazer um trabalho de rearranjo da estrutura óssea da face, por meio de cirurgia seguida de um tratamento de fisioterapia respiratória e fonoterapia, para estimular a respiração nasal no paciente.
Quais as conseqüências tanto fisiológicas, quanto estéticas, da Respiração Bucal em longo prazo para a qualidade de vida do paciente?
AAF – Uma das nossas maiores preocupações são justamente as seqüelas, que podem ser desde problemas respiratórios a alterações no olfato e paladar. Nas crianças, as mudanças nos padrões de respiração irão conferir alterações no desenvolvimento da estrutura da face e em seu crescimento. Já nos adultos, isso não acontece, porque não há mais crescimento ósseo. Neles, são identificadas mais a questão de fadigas diárias e distúrbios do sono, como ronco e apnéia, e que são expressados numa queda do rendimento social e profissional do paciente.
Como é feito o diagnóstico?
AAF – Existe sempre uma diferença do diagnóstico em crianças e em adultos. Nas crianças, o primeiro cuidado a se pensar é a hipertrofia das amígdalas e das adenóides. Fazemos exames físicos e finalizamos com os complementares, como raio X e endoscopias do trato respiratório, para confirmar e quantificar esse diagnóstico. Posteriormente, de acordo com a medida do padrão de evolução das amígdalas e adenóide, será feita a indicação do tratamento, seja ele o clínico ou o cirúrgico, que removerá esses pontos de obstrução. Nos adultos fazemos algo semelhante, mas não temos muita preocupação com adenóide, que atrofia na puberdade em volume e função e deixa de existir. Analisamos a história clínica do paciente e procuramos outras possíveis causas para a obstrução nasal. Observamos a freqüência e o grau da obstrução nasal; a existência de secreção acumulada e alterações na estrutura do nariz, como a existência de desvio de septo ou aumento dos cornetos. Tudo isso já sugere alguns raciocínios para o diagnóstico. Também observamos se há massas dentro do nariz que podem ser tumores malignos ou benignos.
Quando o tratamento cirúrgico é o mais indicado?
AAF – Nos casos em que a respiração bucal tem causas estruturais, a indicação é prioritariamente cirúrgica e quando a origem do problema são inflamações, como alergias e/ou infecções (bacterianas, virais e fungicas), por exemplo, iniciamos o tratamento clínico, à custa de um acompanhamento com medicação. Mas não é rara a possibilidade de se realizar os dois tratamentos de forma associada, iniciando um tratamento clínico e, dependendo da resposta alcançada, ter que submeter o paciente a uma cirurgia.
Na sua tese de mestrado, você estuda como crianças que respiram pela boca podem crescer menos. Por que isso acontece?
AAF – Quando uma criança tem a síndrome da respiração bucal, apresenta, entre outros sintomas, roncos e apnéias do sono, tornando o sono fragmentado e de péssima qualidade. Nessas alterações da arquitetura do sono, ela diminui justamente as fases onde se tem uma maior liberação dos hormônios do crescimento e consequentemente tende a ter pouco peso e crescer menos.
E o que pode ser feito para regularizar essas alterações no potencial de crescimento da criança que já tem o problema? A cirurgia é o caminho mais eficaz?
AAF – Isso foi o que também pesquisamos, com base em alguns trabalhos da literatura mundial. Na verdade, quando se remove os pontos de obstrução nasal, por meio de um procedimento cirúrgico, a criança passará a dormir melhor, regularizando as fases do sono e tendomais tempo para a liberação do hormônio do crescimento e, assim, retomará o desenvolvimento normal. O curioso é que nos primeiros meses de tratamento, ela até retoma um padrão de crescimento maior que o habitual, como se fosse para compensar o tempo perdido e depois de um tempo restabelece a normalidade
Existe uma idade correta para realizar a cirurgia?
AAF – Não existe a uma idade ideal para a realização de cirurgias nessas situações, o procedimento pode ser realizado em qualquer idade. Porém, no terceiro ano de vida há um pico de crescimento fisiológico na adenóide e quando o paciente é operado depois dessa fase, já levamos em consideração o que o órgão atingiu depois desse pico de crescimento. Mas existem casos em que antes dos três anos de idade, a criança já tem o que chamamos de “hipertrofia adenoidiana grau III”, estágio em que já obstruiu quase 100% do espaço aéreo da rinofaringe e aí nessa situação não se pode esperar idade alguma desde o momento do diagnóstico. Os pais geralmente ficam apreensivos em ver uma criança de a três a quatro anos sendo submetida a uma cirurgia. Mas, depois de uma boa conversa, orientando-os e deixando claro, as vantagens que a cirurgia proporcionará à melhora da qualidade de vida da criança e eles ficam mais convencidos de que é a melhor opção de tratamento.
por Francine Lima • design Fred Scorzzo • ilustrações Tooco.com
Depois de sucessivas noites sonhando com uma banana entalada na garganta e acordando com uma nítida sensação de sufocamento, a mulher resolveu investigar. Que raios aquele pesadelo queria dizer? Seria a revelação de alguma perversão sexual até então oculta, como suspeitaria um discípulo do austríaco Sigmund Freud (1856-1939), o pai da psicanálise? Achava que não. Em vez de psicanalista, procurou um médico. E descobriu que, no momento do devaneio inconsciente, aconteciam na vida real pequenas paradas respiratórias — a apneia do sono — que provocam microdespertares ao longo da noite.
Quem desvendou o significado do tormento onírico foi a equipe do neurologista Luciano Ribeiro Pinto Júnior, do Instituto do Sono, em São Paulo. “Sonhos desagradáveis como esse podem ocorrer como consequência de um desconforto físico ou até de uma doença”, diz. Ou seja, em alguns casos o enredo dessa maquinação da mente adormecida pode ter uma relação direta com o estado de saúde do indivíduo. Estudos realizados nos últimos anos permitem especular que um registro regular do seu conteúdo possa ajudar no diagnóstico de diversos problemas.
O dormir é um processo neurológico complexo. Hoje sabe-se que, das cinco fases do sono pelas quais passa qualquer pessoa que dorme dentro da normalidade, o período dos sonhos é uma das mais importantes como indicador de saúde. Na primeira metade da noite, ondas cerebrais lentas predominam e podem ocorrer sonhos dos quais a maioria não se lembra. Depois vem o intervalo dos sonhos mais vívidos, a chamada fase paradoxal do sono, que é mais conhecida pela sigla em inglês REM: rapid eyes movement — movimento rápido dos olhos. Nesse momento, o corpo fica totalmente relaxado, mas a mente está a toda. Uma redução na latência do sono REM é hoje um marcador biológico da depressão, por exemplo.
Por falar em depressão, pesquisadores alemães confirmaram que os depressivos tendem a ter sonhos com tons mais negativos e com mais experiências desagradáveis. O mesmo grupo de cientistas demonstrou que a gravidade dos sintomas do distúrbio era diretamente correlacionada à intensidade das emoções nada positivas nos sonhos — temas como agressão e morte eram frequentes. Além da tristeza sem fim, entram na lista de encrencas suspeitas de trazer consigo sustos na calada da noite Parkinson, Alzheimer, esquizofrenia, enxaqueca, asma, ansiedade e bronquite, só para citar algumas.
As perturbações nos sonhos são, de fato, marcadores extremamente sensíveis de desequilíbrios mentais e físicos. “De alguma forma o cérebro, ao sonhar, detecta os processos biológicos alterados antes mesmo de eles chegarem à consciência”, diz o psicólogo Péter Simor, pesquisador da Universidade de Semmelweis, em Budapeste, na Hungria. Embora os estudos também procurem identificar padrões de sonhos conforme a constância, a repetição e os temas, o que tem se mostrado mais relevante para a medicina é o teor emocional das histórias sonhadas e o que a pessoa sente ao acordar.
Até o momento, a ciência acumula bem mais descobertas sobre as funções do sono do que dos sonhos. E para dormir tranquilo os médicos recomendam um ritual relaxante antes de ir para a cama: baixar a intensidade da luz, ficar em silêncio, ler ou ouvir música calma e dar um jeito de não pensar nos problemas na hora de apagar. E, se sonhar, anotar tudo no dia seguinte. Nunca se sabe.
Freud e Jung
Sigmund Freud foi o primeiro a dar um caráter científico à investigação do conteúdo onírico, com a publicação do livro A Interpretação dos Sonhos, em 1899. Para Freud, eles seriam uma tentativa de realizar desejos reprimidos, especialmente os da infância. Já para seu discípulo, o suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), os sonhos eram uma ferramenta da mente na busca de equilíbrio. Sua teoria da compensação ditava que, na existência de um desbalanço entre a mente consciente e o inconsciente, ou seja, uma neurose ou uma psicose, a psique teria a missão de lançar pistas para a mente, na tentativa de consertar — ou compensar — o problema. Essas pistas viriam na forma de sonhos.
Efeitos colaterais oníricos
Antidepressivos
Os inibidores seletivos de recaptação de serotonina são atualmente os remédios mais usados no tratamento de distúrbios psiquiátricos como depressão, ansiedade e bulimia. Eles podem dar a sensação de que a pessoa está sonhando muito mais que o normal, e os sonhos podem ser mais intensos. Mas um ajuste na dose ou nos horários da medicação pode resolver o problema. Já os antidepressivos tricíclicos diminuem e chegam até a suprimir o sono REM.
Tranquilizantes e ansiolíticos
Esses remédios provocam sonolência e tendem a encurtar o sono REM. Largar o tratamento depois de já ter desenvolvido dependência ou tolerância à medicação também pode alterar gravemente o padrão de sono, incluindo uma fase REM espichada, mais sonhos e despertares durante a noite. Tanto quanto ocorre com os antidepressivos, o efeito ricochete será maior quanto maiores forem as doses e a duração do tratamento. Pesadelos estão entre os efeitos colaterais relatados por usuários.